25.1.08

A próxima vaia
Em sua enésima volta, meses atrás, o blog errou. Não era "faz de conta" a até então suposta divergência entre Miguel Haddad e Ary Fossen sobre qual deles seria candidato a prefeito em 2008.
Ambos queriam - e querem - o cargo realmente.
No entanto, no PSDB - e fora dele também - ninguém esperava que Ary Fossen fosse levar às últimas conseqüências a pretensão. A perspectiva, ditada pela mediocridade administrativa que marcou sua gestão, era a de que,curvando-se à realidade de sua inapetência pela efetiva gestão da coisa pública e a pesquisas de opinião, cedesse o lugar à candidatura de Miguel Haddad. Não fosse por nada, por mera questão de sobrevivência política.
A existência do conflito entre ambos sempre foi negada, por eles e por membros do partido. Mas ele, de fato, estava presente. Até que, no final do ano, Ary Fossen foi claro: era ainda a vez dele, disse à imprensa local. Ou seja, não somente quer ser candidato a reeleição, como está disposto a peitar quem estiver contra, seja ele Miguel Haddad, seja André Benassi, seja quem for.
E, num cenário montado claramente para dar um empurrãozinho em seu nome nas pesquisas de opinião pública, o prefeito acabou por acrescentar à declaração outro e monumental erro.
Evidentemente, as vozes na esquina referem-se aqui à desapropriação do prédio do Hospital da Unimed., episódio concebido, produzido e dirigido sem a prévia consulta ao PSDB, a André Benassi e a Miguel Haddad.
O anúncio da desapropriação foi feito cerca de duas semanas após sua aquisição pela cooperativa de médicos, justamente no dia e na hora em que aconteciam as solenidades de inauguração do novo nosocômio (putz! De onde saiu essa?. Bem, agora saiu). A escolha do dia e hora,comenta-se, bem se poderia chamar de perfídia político-administrativa.
Mas, voltando, foi muito claro o intuito do alcaide no show montado para anunciar a desapropriação. Quis simplesmente dizer : olhem, gostem ou não gostem, quem manda aqui sou eu.
O recado não foi dirigido à UNIMED diretamente, mas a seus companheiros de partido, em especial aos ex-aliados, Miguel Haddad e André Benasi.
Até o momento, a situação do conflito com a UNIMED não está totalmente definida;. De qualquer forma não é o que importa neste post, até porque o assunto voltará a esta página.
Importa, sim, no momento, que se constatem os estragos que os últimos movimentos do prefeito causaram.
Seja qual for a decisão do partido, o PSDB já permitiu que o prefeito o rachasse. Não dá para colar os cacos. Ary desfez a unidade que conferia ao trio a imagem de eleitoralmente imbatível. A confiança nele está abalada.
O Ary Fossen eleito em 2004 não é o mesmo que, destemido, enfrenta o partido em 2008. Disso agora bem já sabem Haddad e Benassi, certamente arrependidos de não seguir a básica constatação: dois é o perfeito, três, o imperfeito.
Por sua vez , a oposição, todinha perceptivelmente arrepiada (o poder - dizem – provoca os chamados "mais primitivos instintos") com a contenda, bate palminhas de alegria, certa de que, graças à desgraça do PSDB, pode, finalmente sonhar em tomar o poder, seja qual for o candidato situacionista.
Enfim, com a graça e leveza de um elefante numa loja de artigos de louça, Ary Fossen – quem diria? – trouxe a prática da política de volta à vida na cidade e a possibilidade de uma efetiva alternância no poder.
Obrigado, prefeito.
Pena que a atuação da oposição local não provoque senão a lembrança da repetida cena em que o tenor, vaiado, olha para platéia e vocifera: "Se vocês acham que canto mal, esperem só o barítono de merda que vem em seguida".