Carrões corporativos
O Bom Dia Jundiaí que circulou hoje noticia um fato escabroso.
É o seguinte. A Câmara possui nada menos que vinte veículos, que, a não ser pela chapa branca, não se distinguem de quaisquer outros utilizados no serviço público.
Com isso, a utilização dos veículos não se dá sem que abusos sejam cometidos pelos vereadores. O principal deles, segundo o jornal, é o “uso de veículos em horários irregulares e pouco convencionais, que força os motoristas a fazerem horas extras abusivas.”
A colocação de adesivos de identificação, providência que o presidente da Câmara, Luiz Fernando Machado, pretende tomar, permitiria , nas palavras do Presidente do legislativo ao jornal, mostrar “para todos que se tratam de carros oficiais de uso restrito”. Seria, assim, uma forma de limitar o uso desses veículos.
O presidente, ainda de acordo com a matéria, vai enfrentar a oposição de alguns parlamentares (as vozes na esquina apostam na maioria, não em alguns), que alegam que “o adesivo inviabilizaria, por exemplo, a ida dos carros a bairros mais violentos e poderia ser alvo de criminosos.”
O jornal ainda se refere ao fato de, mesmo que venham a ser colocados os adesivos, não se mostrar próxima de ser tomada qualquer outra providência no sentido de se controlar a real utilização dos veículos, mediante gerenciamento de destino, itinerários, etc
Esta é a síntese da matéria, cuja íntegra pode ser encontrada aqui.
Muito bem.
Em primeiro lugar, não há o que justifique que a Câmara tenha 20 veículos para a utilização dos senhores vereadores. Não é possível que todos eles tenham todos os dias, em horários normais, tantas atividades pertinentes tão somente à vida parlamentar.
Em segundo lugar, está claro que a utilização descontrolada dos veículos representa sangria de dinheiro público.
Em terceiro lugar, não há por que não estabelecer mecanismos que permitam a aferição da utilização real do veículo. Afinal de contas, por onde andam os senhores edis que não querem ter suas andanças, com veículo e motorista pagos pelo contribuinte, monitoradas?
Em quarto lugar, a insurgência contra a identificação é no mínimo curiosa: há vereadores que dizem ter medo de virar alvo de criminosos. Ora, repete-se a pergunta, por onde andam esses senhores? E se o medo não diz respeito a este ou aquele lugar determinado (não há notícia de acampamento das FARC por perto), em que conta estão tendo a ordeira população da cidade que paga seus subsídios?
Em quinto lugar, a simples disponibilização de veículos públicos, sem identificação e sem controle de utilização, aliada ao fato de cada um parlamentar ter à disposição três assessores (pagos com dinheiro público), não constituirá um privilégio de cada um dos vereadores em exercício frente aos demais candidatos a vagas no legislativo nas próximas eleições? Por que partidos sem representação não reagem contra isso?
Em sexto lugar, qual a diferença entre a preservação da segurança nacional - bandeira de que se serve o Governo Lula para manter o sigilo do uso dos cartões corporativos em gastos com familiares do Presidente - e o alegado medo de “ida a bairros mais violentos”, argumento utilizado por vereadores para manter os veículos numa quase clandestinidade? Resvalam ou não ambos os argumentos no ridículo?
Para terminar, colocada pelo presidente do Legislativo a questão em discussão perante os vereadores, como votarão os petistas?
É o seguinte. A Câmara possui nada menos que vinte veículos, que, a não ser pela chapa branca, não se distinguem de quaisquer outros utilizados no serviço público.
Com isso, a utilização dos veículos não se dá sem que abusos sejam cometidos pelos vereadores. O principal deles, segundo o jornal, é o “uso de veículos em horários irregulares e pouco convencionais, que força os motoristas a fazerem horas extras abusivas.”
A colocação de adesivos de identificação, providência que o presidente da Câmara, Luiz Fernando Machado, pretende tomar, permitiria , nas palavras do Presidente do legislativo ao jornal, mostrar “para todos que se tratam de carros oficiais de uso restrito”. Seria, assim, uma forma de limitar o uso desses veículos.
O presidente, ainda de acordo com a matéria, vai enfrentar a oposição de alguns parlamentares (as vozes na esquina apostam na maioria, não em alguns), que alegam que “o adesivo inviabilizaria, por exemplo, a ida dos carros a bairros mais violentos e poderia ser alvo de criminosos.”
O jornal ainda se refere ao fato de, mesmo que venham a ser colocados os adesivos, não se mostrar próxima de ser tomada qualquer outra providência no sentido de se controlar a real utilização dos veículos, mediante gerenciamento de destino, itinerários, etc
Esta é a síntese da matéria, cuja íntegra pode ser encontrada aqui.
Muito bem.
Em primeiro lugar, não há o que justifique que a Câmara tenha 20 veículos para a utilização dos senhores vereadores. Não é possível que todos eles tenham todos os dias, em horários normais, tantas atividades pertinentes tão somente à vida parlamentar.
Em segundo lugar, está claro que a utilização descontrolada dos veículos representa sangria de dinheiro público.
Em terceiro lugar, não há por que não estabelecer mecanismos que permitam a aferição da utilização real do veículo. Afinal de contas, por onde andam os senhores edis que não querem ter suas andanças, com veículo e motorista pagos pelo contribuinte, monitoradas?
Em quarto lugar, a insurgência contra a identificação é no mínimo curiosa: há vereadores que dizem ter medo de virar alvo de criminosos. Ora, repete-se a pergunta, por onde andam esses senhores? E se o medo não diz respeito a este ou aquele lugar determinado (não há notícia de acampamento das FARC por perto), em que conta estão tendo a ordeira população da cidade que paga seus subsídios?
Em quinto lugar, a simples disponibilização de veículos públicos, sem identificação e sem controle de utilização, aliada ao fato de cada um parlamentar ter à disposição três assessores (pagos com dinheiro público), não constituirá um privilégio de cada um dos vereadores em exercício frente aos demais candidatos a vagas no legislativo nas próximas eleições? Por que partidos sem representação não reagem contra isso?
Em sexto lugar, qual a diferença entre a preservação da segurança nacional - bandeira de que se serve o Governo Lula para manter o sigilo do uso dos cartões corporativos em gastos com familiares do Presidente - e o alegado medo de “ida a bairros mais violentos”, argumento utilizado por vereadores para manter os veículos numa quase clandestinidade? Resvalam ou não ambos os argumentos no ridículo?
Para terminar, colocada pelo presidente do Legislativo a questão em discussão perante os vereadores, como votarão os petistas?