Fim da taquigrafia: uma matéria indecorosa
A matéria que o Jornal de Jundiaí traz hoje sobre o fim do serviço de taquigrafia da Câmara (aqui) constituiu um desafio às vozes na esquina, que dela fizeram tema de discussões, das quais decorreram perguntas (que, naturalmente, nunca obterão respostas) e uma conclusão que bem se ajusta a um contexto de pouca exigência em questões éticas em que se insiste em manter a cidade.
Antes das perguntas, pede-se, se muito não for, que se observe que ninguém aqui está, no que diz respeito à adoção da chamada ata eletrônica (anunciada em substituição às notas taquigráficas), contra ou a favor, até porque nem mesmo a matéria do JJ trouxe esclarecimento, na amplitude da palavra, de como funcionará.
Ressalte-se, ainda antes das perguntas, que realmente incomodou a sem-cerimônia com que na matéria se investiu contra a reputação e utilidade de um serviço e de quem o prestava, um octogenário. Isso não se faz. É uma moda que não pode pegar.
Às perguntas.
Por que o jornal insiste em emprestar um ar de escândalo aos recebimentos de um serviço efetivamente prestado, com notas e recolhimentos fiscais e previdenciários (note-se que a escolha da palavra “escancarou” pelo autor da matéria dá a impressão de que o serviço de taquigrafia era uma atividade irregular, lesiva aos cofres públicos)?
Por que é que o jornal, ao mesmo tempo em que não se permite uma pergunta sobre os gastos dos parlamentares com a utilização de nada menos que vinte carros, quer parecer tão severo quanto a gastos públicos no que respeita a uma atividade que tem importância documental e histórica, tanto que é preservada inclusive na Câmara Federal?
Por que é que o jornal, para tentar passar a impressão de ilicitude no serviço taquigráfico, tenta mostrar indignação quanto a valores pagos, sem mostrar o custo do serviço, por exemplo, na Câmara Municipal de São Paulo?
Por que é que o jornal, tão complacente e atencioso com as respostas do assessor jurídico da Câmara, não se deu ao trabalho de exigir do autor da matéria a leitura do regimento interno, providência que levaria à constatação de que a adoção de tal ata eletrônica não implica em extinção do serviço de taquigrafia (muito pelo contrário!), e que, portanto, a ignorância dessa impositiva coexistência de sistemas poderá acarretar - quiçá - a nulidade de muitos atos do legislativo?
Se havia algum abuso na prestação e remuneração do serviço, por que é que o jornal não interpelou os vereadores responsáveis pela contratação?
Depois de muita conversa, muita discussão, as vozes na esquina chegaram à conclusão: o jornal assim agiu porque estava diante de um espécime de difícil compreensão nestes tempos.
Entende-se: não é sempre que se encontra um cidadão que ganha um bom dinheiro honestamente, não é mesmo? Um perigo esse tipo de gente.
Antes das perguntas, pede-se, se muito não for, que se observe que ninguém aqui está, no que diz respeito à adoção da chamada ata eletrônica (anunciada em substituição às notas taquigráficas), contra ou a favor, até porque nem mesmo a matéria do JJ trouxe esclarecimento, na amplitude da palavra, de como funcionará.
Ressalte-se, ainda antes das perguntas, que realmente incomodou a sem-cerimônia com que na matéria se investiu contra a reputação e utilidade de um serviço e de quem o prestava, um octogenário. Isso não se faz. É uma moda que não pode pegar.
Às perguntas.
Por que o jornal insiste em emprestar um ar de escândalo aos recebimentos de um serviço efetivamente prestado, com notas e recolhimentos fiscais e previdenciários (note-se que a escolha da palavra “escancarou” pelo autor da matéria dá a impressão de que o serviço de taquigrafia era uma atividade irregular, lesiva aos cofres públicos)?
Por que é que o jornal, ao mesmo tempo em que não se permite uma pergunta sobre os gastos dos parlamentares com a utilização de nada menos que vinte carros, quer parecer tão severo quanto a gastos públicos no que respeita a uma atividade que tem importância documental e histórica, tanto que é preservada inclusive na Câmara Federal?
Por que é que o jornal, para tentar passar a impressão de ilicitude no serviço taquigráfico, tenta mostrar indignação quanto a valores pagos, sem mostrar o custo do serviço, por exemplo, na Câmara Municipal de São Paulo?
Por que é que o jornal, tão complacente e atencioso com as respostas do assessor jurídico da Câmara, não se deu ao trabalho de exigir do autor da matéria a leitura do regimento interno, providência que levaria à constatação de que a adoção de tal ata eletrônica não implica em extinção do serviço de taquigrafia (muito pelo contrário!), e que, portanto, a ignorância dessa impositiva coexistência de sistemas poderá acarretar - quiçá - a nulidade de muitos atos do legislativo?
Se havia algum abuso na prestação e remuneração do serviço, por que é que o jornal não interpelou os vereadores responsáveis pela contratação?
Depois de muita conversa, muita discussão, as vozes na esquina chegaram à conclusão: o jornal assim agiu porque estava diante de um espécime de difícil compreensão nestes tempos.
Entende-se: não é sempre que se encontra um cidadão que ganha um bom dinheiro honestamente, não é mesmo? Um perigo esse tipo de gente.