Na Câmara
A Câmara Municipal de Jundiaí discutiu terça-feira passada, por um longo tempo, mais um daqueles inefáveis projetos de seu Presidente, Luiz Fernando Machado, vereador que tem por cacoete obter a convocação de audiências públicas para apreciar moções (é o fim da picada!).
O projeto apreciado terça-feira - e aprovado, naturalmente – declara de utilidade pública a Fundação Cultural Anhangüera, mantenedora da emissora tida pelas vozes na esquina como a TV do Benassi.
Trata-se, como vem acontecendo com invulgar e indesejada freqüência, de um projeto de nenhum interesse para a população, cuja discussão só teve o mérito de afastar os vereadores da intromissão em assuntos sérios, o que pode ser até muito bom.
Longe de questões cruciais, ao contrário dos protagonistas do Feijão à Milanesa, concentraram-se os vereadores naquilo que podem fazer de melhor: nada.
Discutiram, a fundo perdido, questões envolvendo a legalidade da iniciativa do presidente da Câmara, e – claro! - aproveitaram muitos deles para se derreterem em elogios à figura de André Benassi.
E é aí que a coisa pega. Daí este post.
O ex-prefeito foi tratado como se fosse um estadista, como, por exemplo, um daqueles virtuosos que, excetuados os marechais, deram vida ao Brasil republicano. Um horror, um agravo à sensatez.
Será que é tão difícil perceber que a atuação pública de políticos como Benasi, Miguel Hadda Ary Fossen só tem a dimensão que lhe emprestam porque a cidade, seus cidadão, sua forças (putz! Lá vai!) vivas, suas reservas intelectuais se prestam a uma servidão inimaginável até mesmo em qualquer rincão nordestino?
Um episódio talvez sirva para ilustrar essa subserviência voluntária à vontade política de homens públicos que não querem qualquer compromisso com a cidade.
Lembram-se da Feira da Amizade? Era um evento que se desenrolava por longos meses, com sorteios, churrascos, jantares, bailes e que tinha seu ápice numa grande feira realizada no Parque Antônio Carbonari. A Feira mobilizava diversas entidades, associações de classe, profissionais, todos, de uma forma ou outra, batalhando por angariar fundos destinados a projetos assistenciais.
Durante décadas, por atrair pessoas de todos os cantos, fez parte do calendário da cidade.
Até que a presidência do evento foi entregue ao político André Benassi, que, simplesmente, decretou o seu fim! Isso mesmo: ele convocou um mundo de gente, inclusive os criadores do evento, para comunicar que ele não mais se realizaria. Assim, sem mais, nem menos.
E ninguém – repita-se: ninguém!!!! - reagiu.
Empresários, senhoras da alta sociedade, juízes, membros entidades de classe, arquitetos, advogados, engenheiros e tantos outros que, durante anos, colaboraram com o evento, ninguém disse um "a".Ficaram todos quietinhos.
Em qualquer lugar do mundo, ele seria defenestrado da vida pública e passaria a ter vergonha até de sair à rua.
Seria quase desnecessário dizer que a Feira da Amizade não era de fato uma instituição vital para a cidade. Mas existia e, a seu modo, prestava algum tipo de serviço, impedindo que políticos monopolizassem a atividade de ter dó dos outros.
A referência a ela e seu fim neste blog se deu tão somente para mostrar como reage a sociedade local a ações indefensáveis perpetradas por homens públicos. No caso, o ex-prefeito André Benassi.
Pois, na terça-feira,repita-se, ele foi incensado pelos vereadores.
Não contem isso para ninguém fora daqui. Vão dizer que a cidade ainda vive o ambiente de O Bem-Amado.
Fica chato.
Já na quarta-feira, em horário bem escondidinho, escolhido a dedo para que poucas pessoas pudessem participar - vai que algum desavisado pense que está numa democracia, não é mesmo? - foi realizada audiência pública destinada à discussão do Projeto de Lei Complementar 832, de autoria do Prefeito Ary Fossen, que “prevê regularização de construções e reformas de edificações, não autorizadas ou executadas em desacordo com o projeto aprovado, independentemente de área ou de sua destinação, desde que tenham sido identificadas em levantamento aerofotogramétrico do ano de 1993 ou tenham sido cadastradas na Prefeitura até 2004”.
A história todo mundo está cansado de saber.
Fizeram do território do município uma Casa da mãe Joana. Cada um constrói o que quer e como quer e, em seguida, fica à espera de uma anistia.
A cidade está sendo desfigurada há anos. Uma voltinha no Centro mostra construções sem recúo, construções de dois, três andares em terrenos onde havia casas térreas, aproveitamento maximizado de lotes, enfim, uma balbúrdia.
Os velhos bairros estão irreconhecíveis e os novos já nascem com cara de favela, inclusive os condomínio fechados, tão prestigiados no mercado imobiliário.
Deu-se que, na audiência de quarta-feira, compareceu o Secretário Ademir Pedro Vítor para mostrar aos vereadores as virtudes dessa infeliz iniciativa da administração Fossen.
Para se ter uma idéia, o secretário iniciou sua conversa mole com o argumento de que as construções irregulares constituem um problema de longos anos, que não pode ser evitado porque a fiscalização é deficiente e que não seria socialmente justo levar as sanções às últimas conseqüências (demolição).
De sua exposição deu para entender que a coisa aqui funciona assim: a lei é criada para não ser cumprida; a fiscalização é absolvida porque se trata de um problema social; o secretário se porta como se sua secretaria não tivesse nenhuma responsablidade pelo ocorrido e quem cumpre a lei faz papel de trouxa.
Significativamente, nenhum vereador perguntou ao secretário pelo menos o que ele, que há anos, está no cargo, fez para evitar essa situação, que, agora, quer ver corrigida.
Muito pelo contrário, esses senhores que ganham milhares de reais por mês para defender o interesse público, chegaram ao ponto de sugerir que essa anistia, essa ode à ilegalidade, esse desprezo à lei, fosse estendida a construções irregulares erguidas até 2008!!!
Intrigante foi a insistência do secretário em dizer que não se estava diante de uma anistia, já que as pessoas violadoras da lei e aquinhoadas com esse presentaço terão - ora, veja! – de pagar as taxas correspondentes e impostos!!!
Humm...
Pois as vozes na esquina dizem que se trata sim de uma anistia, não somente aos que construíram fora da lei, mas, principalmente, àqueles, como o Secretário, que permitiram, sob argumento de preocupações de ordem social, o descalabro que é a edificação desordenada e ilegal na cidade, ao longo de sucessivas administrações.
O projeto apreciado terça-feira - e aprovado, naturalmente – declara de utilidade pública a Fundação Cultural Anhangüera, mantenedora da emissora tida pelas vozes na esquina como a TV do Benassi.
Trata-se, como vem acontecendo com invulgar e indesejada freqüência, de um projeto de nenhum interesse para a população, cuja discussão só teve o mérito de afastar os vereadores da intromissão em assuntos sérios, o que pode ser até muito bom.
Longe de questões cruciais, ao contrário dos protagonistas do Feijão à Milanesa, concentraram-se os vereadores naquilo que podem fazer de melhor: nada.
Discutiram, a fundo perdido, questões envolvendo a legalidade da iniciativa do presidente da Câmara, e – claro! - aproveitaram muitos deles para se derreterem em elogios à figura de André Benassi.
E é aí que a coisa pega. Daí este post.
O ex-prefeito foi tratado como se fosse um estadista, como, por exemplo, um daqueles virtuosos que, excetuados os marechais, deram vida ao Brasil republicano. Um horror, um agravo à sensatez.
Será que é tão difícil perceber que a atuação pública de políticos como Benasi, Miguel Hadda Ary Fossen só tem a dimensão que lhe emprestam porque a cidade, seus cidadão, sua forças (putz! Lá vai!) vivas, suas reservas intelectuais se prestam a uma servidão inimaginável até mesmo em qualquer rincão nordestino?
Um episódio talvez sirva para ilustrar essa subserviência voluntária à vontade política de homens públicos que não querem qualquer compromisso com a cidade.
Lembram-se da Feira da Amizade? Era um evento que se desenrolava por longos meses, com sorteios, churrascos, jantares, bailes e que tinha seu ápice numa grande feira realizada no Parque Antônio Carbonari. A Feira mobilizava diversas entidades, associações de classe, profissionais, todos, de uma forma ou outra, batalhando por angariar fundos destinados a projetos assistenciais.
Durante décadas, por atrair pessoas de todos os cantos, fez parte do calendário da cidade.
Até que a presidência do evento foi entregue ao político André Benassi, que, simplesmente, decretou o seu fim! Isso mesmo: ele convocou um mundo de gente, inclusive os criadores do evento, para comunicar que ele não mais se realizaria. Assim, sem mais, nem menos.
E ninguém – repita-se: ninguém!!!! - reagiu.
Empresários, senhoras da alta sociedade, juízes, membros entidades de classe, arquitetos, advogados, engenheiros e tantos outros que, durante anos, colaboraram com o evento, ninguém disse um "a".Ficaram todos quietinhos.
Em qualquer lugar do mundo, ele seria defenestrado da vida pública e passaria a ter vergonha até de sair à rua.
Seria quase desnecessário dizer que a Feira da Amizade não era de fato uma instituição vital para a cidade. Mas existia e, a seu modo, prestava algum tipo de serviço, impedindo que políticos monopolizassem a atividade de ter dó dos outros.
A referência a ela e seu fim neste blog se deu tão somente para mostrar como reage a sociedade local a ações indefensáveis perpetradas por homens públicos. No caso, o ex-prefeito André Benassi.
Pois, na terça-feira,repita-se, ele foi incensado pelos vereadores.
Não contem isso para ninguém fora daqui. Vão dizer que a cidade ainda vive o ambiente de O Bem-Amado.
Fica chato.
Já na quarta-feira, em horário bem escondidinho, escolhido a dedo para que poucas pessoas pudessem participar - vai que algum desavisado pense que está numa democracia, não é mesmo? - foi realizada audiência pública destinada à discussão do Projeto de Lei Complementar 832, de autoria do Prefeito Ary Fossen, que “prevê regularização de construções e reformas de edificações, não autorizadas ou executadas em desacordo com o projeto aprovado, independentemente de área ou de sua destinação, desde que tenham sido identificadas em levantamento aerofotogramétrico do ano de 1993 ou tenham sido cadastradas na Prefeitura até 2004”.
A história todo mundo está cansado de saber.
Fizeram do território do município uma Casa da mãe Joana. Cada um constrói o que quer e como quer e, em seguida, fica à espera de uma anistia.
A cidade está sendo desfigurada há anos. Uma voltinha no Centro mostra construções sem recúo, construções de dois, três andares em terrenos onde havia casas térreas, aproveitamento maximizado de lotes, enfim, uma balbúrdia.
Os velhos bairros estão irreconhecíveis e os novos já nascem com cara de favela, inclusive os condomínio fechados, tão prestigiados no mercado imobiliário.
Deu-se que, na audiência de quarta-feira, compareceu o Secretário Ademir Pedro Vítor para mostrar aos vereadores as virtudes dessa infeliz iniciativa da administração Fossen.
Para se ter uma idéia, o secretário iniciou sua conversa mole com o argumento de que as construções irregulares constituem um problema de longos anos, que não pode ser evitado porque a fiscalização é deficiente e que não seria socialmente justo levar as sanções às últimas conseqüências (demolição).
De sua exposição deu para entender que a coisa aqui funciona assim: a lei é criada para não ser cumprida; a fiscalização é absolvida porque se trata de um problema social; o secretário se porta como se sua secretaria não tivesse nenhuma responsablidade pelo ocorrido e quem cumpre a lei faz papel de trouxa.
Significativamente, nenhum vereador perguntou ao secretário pelo menos o que ele, que há anos, está no cargo, fez para evitar essa situação, que, agora, quer ver corrigida.
Muito pelo contrário, esses senhores que ganham milhares de reais por mês para defender o interesse público, chegaram ao ponto de sugerir que essa anistia, essa ode à ilegalidade, esse desprezo à lei, fosse estendida a construções irregulares erguidas até 2008!!!
Intrigante foi a insistência do secretário em dizer que não se estava diante de uma anistia, já que as pessoas violadoras da lei e aquinhoadas com esse presentaço terão - ora, veja! – de pagar as taxas correspondentes e impostos!!!
Humm...
Pois as vozes na esquina dizem que se trata sim de uma anistia, não somente aos que construíram fora da lei, mas, principalmente, àqueles, como o Secretário, que permitiram, sob argumento de preocupações de ordem social, o descalabro que é a edificação desordenada e ilegal na cidade, ao longo de sucessivas administrações.