12.3.08

Pílulas
A sessão de ontem da Câmara trouxe, mais uma vez, um desfile de iniciativas, comunicados e discussões, quando não absolutamente inúteis, distanciados da Lei, da Constituição e do interesse público.
Dado o conhecido talento do elenco, quem poderia imaginar algo diferente? A impressão que se tem é a de que se quer, de uma vez por todas, tirar o Legislativo Municipal das páginas de política, reservando-lhe permanentemente espaço nas de curiosidades e assuntos aleatórios.
Bem - voltando à sessão -, foi num ambiente em que ficou mais uma vez flagrante o desperdício de dinheiro público com a pífia atuação dos parlamentares que sobressaiu a discussão e aprovação do projeto de lei por meio do qual se pretende proibir a entrega, em postos de saúde do município, da chamada pílula do dia seguinte.
A aprovação desse projeto, por quatorze votos, dá bem conta de que ninguém consegue segurar os edis quando se tratar de expor a cidade - e a eles próprios - ao ridículo.
Para início de conversa, não têm os vereadores nem mesmo competência para legislar sobre o assunto. Não bastasse, sempre esteve muito claro que o projeto atende tão somente a apelos religiosos.
Malgrado o autor da proposta, Cláudio Miranda, se tenha utilizado do argumento de que sua iniciativa tinha fundamento na preocupação com a saúde pública, o fato é que de nenhum dado objetivo dispunham os parlamentares (isso foi confessado por vários deles) para decidir sobre o acerto ou desacerto da medida com base na razão alegada pelo "pai da criança" .
Havia no ar um ameaça de sanção religiosa a amendrontar os vereadores.
A religião ganhou - em especial, a Igreja Católica, cujo Bispo, encorajado pelo acovardamento da Câmara, já se prepara, segundo os jornais de hoje, para pressionar o prefeito a sancionar o projeto aprovado, que todos sabem ser inconstitucional.
Algo próximo do fim do mundo.
Campineiros devem estar se contorcendo de rir com esses acontecimentos.
Ok, ok, não só os campineiros, mas o mundo inteiro. A expressa referência ao pessoal de Campinas se deve somente a que se trata de uma cidade muito esquisita (nela, por exemplo, a Igreja Católica prefere manter Universidades em lugar de se meter em assuntos que não lhe dizem respeito), cujos políticos, neste instante, estão é preocupados com a ampliação de Viracopos, com o início da atividade do trem-bala e outras coisas que podem tornar a vida de todos melhor.
Mas a vida neste - o único - mundo, naturalmente.