30.11.08

Miguel preocupado. Ary em campanha.
A inquietação que tomou conta das hostes de Miguel Haddad escapou do controle.
Preocupado como nunca com as conseqüências das traquinagens perpetradas em sua campanha, severamente castigadas ( com merecidos aplausos de parcela do eleitorado que ainda consegue se indignar) pela Justiça Eleitoral, pôs-se a campo para, de um lado, amesquinhar a gravidade de sua situação perante a Lei, e, de outro, tentar recompor sua imagem, gravemente arranhada pela sucessão de denúncias e decretos de cassação.
Vale-se, então, desde meados da semana passada, de repetidas aparições na imprensa local.
O resultado não poderia ser pior. O único que está obtendo é o de passar recibo de que, por causa das sentenças de cassação, sua eleição está, como se diz, “subindo no telhado”. Pela primeira vez, em todos esses anos em que pontificou ora prefeito, ora como candidato, está se mostrando fragilizado.
Claro está que não escapa a ninguém, muito menos a um político veterano, que esses processos podem ter um prazo de tramitação muito além do suportável, situação de que se ocupou Jânio de Feitas em sua coluna de hoje na Folha de São Paulo (“Dessa realidade já tão idosa e sempre intocada, sobressai a evidência de que o crime eleitoral, se der a vitória na aritmética da apuração, é garantia de exercício do mandato, por bom tempo e às vezes por todo o tempo, com uso e abuso de todos os poderes dos eleitos legitimamente. Uma realidade corriqueira no Brasil, renovada a cada dois anos com eleições de prefeitos e de governadores.”).
Mas, pouco importando o resultado dos processos em que se envolveu o eleito, menos ainda o quanto de tempo podem tomar para chegar a um fim, o grande estrago já foi feito: a imagem foi arranhada, e tão profundamente, que sua própria autoridade estará permanentemente em xeque em seu mandato, este fadado a ser marcado pela potencialização da mediocridade que marcou suas gestões anteriores.
A blitzkrieg na opinião pública não foi apenas um fracasso. Pior, teve o efeito de um bumerangue.



Em plena atividade, o atual prefeito, Ary Fossen, nem de longe se assemelha a um “pato manco”, expressão que os americanos usam para designar políticos em final de mandato.
Muito pelo contrário, está em plena atividade, fiscalizando e inaugurando obras, sempre cercado de seus secretários, dando a cada ato administrativo externo dimensão muitas vezes incompatível com sua real importância.
Em outras palavras: previdente, já está em campanha, seja para deputado, seja para prefeito.
Vozes na esquina acham que o cargo pretendido (e já!) é o segundo.