27.12.12


A Guarda e os Ecologistas

No último domingo, um grupo de ecologistas teve impedido seu acesso às cachoeiras da Serra do Japi. Pretendiam, segundo consta, chamar a atenção da opinião pública e do Poder Público para o pouco sentido que tem a existência de uma patrimônio ecológico sem que se faculte o acesso da população a ele (até mesmo para ajudar a fiscalização do uso e da preservação do local, já que a Administração mostra-se, neste ponto, muitas vezes distraída, não é mesmo?).
O episódio chamou a atenção pelo incrível despreparo da Guarda Municipal no enfrentamento com ecologistas armados com ... celulares. A imprensa dá conta de que, para conter os manifestantes,  foram utilizados spray de gás-pimenta, cacetes e algemas (até nos pés).
Vídeos na Internet mostram o incrível confronto.
Ontem a Prefeitura expediu comunicado explicando que a conduta da guarda foi necessária para que a legislação fosse respeitada. O texto do comunicado é estranho, já que os ecologistas afirmam ter cumprido toda a rotina burocrática para o acesso ao local e a Prefeitura não os desmente.
Os propósitos dos ecologistas eram bem claros, podendo ser obstados, ainda que fossem ilegais, sem gás pimenta, cassetetes e algemas.... Nada justifica a truculência com que a Guarda se houve no episódio...
Aliás, causam mais estranheza o acionamento e a atuação da Guarda Municipal neste caso por dois outros motivos.
O primeiro deles: as maiores e irreversíveis agressões contra o patrimônio representado pela Serra foram perpetradas por especuladores imobiliários, havendo relatos confirmados de construções de condomínios industriais em terrenos onde havia nascentes; portanto, a Administração que se encerra não pode nem mesmo afirmar que a vedação do acesso à Serra se trata de norma de conduta incontornável a ponto de justificar a agressividade mostrada em diversos vídeos encontrados na Internet (há mais além daquele "linkado").
O segundo: a Guarda que tão firmemente se voltou contra os ecologistas é a mesma Guarda que se mostra claramente incapaz de livrar-se de simples flanelinhas e assegurar à população o acesso e pleno uso de uma praça pública. Vejam que os ecologistas somente queriam chegar à cachoeira para firmar uma posição quanto ao uso do local, enquanto os flanelinhas da praça do Fórum (para citar um exemplo conhecido deste blog) já fizeram dela uma casa da mãe Joana e, por algum motivo, continuam sossegadíssimos na prática de utilizar e destruir patrimônio público.